Friday, July 28, 2006

Talvez a história das nossas vidas seja a história dos nossos olhos

Pois é, temos que viver a vida e não pensar o porquê das coisas, senão vemos a vida passar-nos por entre os dedos sem sequer ter feito nada para além de pensar o porquê das coisas.

Mas, nada me assusta mais na vida do que ter de sair dela.

 

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Tuesday, July 25, 2006

Para quê?

               Alegria, amor, trabalho, saúde, vida. Sofrimento, dissabores, inactividade, doença, morte. É tão estranho o sentimento que nos invade quando chegamos à conclusão (brilhante) que a vida é um período de tempo finito, em que cada um de nós dá tudo de si para alcançar algo. O quê? Pensamos: porquê isto?

               Na realidade, cada um atribui um sentido a cada coisa que faz. Penso ser isso a vida,  atribuir sentido às coisas - a si próprio, ao mundo, às pessoas que nos rodeiam, a tudo, à morte. Ao atribuirmos sentido às coisas, entendêmo-las (de certa forma), pelo menos para nós próprios. Um mecanismo para tornamos a vida mais leve.

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Tuesday, July 18, 2006

Poema

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

                   Sophia de Mello Breyner Andresen

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Tuesday, July 11, 2006

Eu estou aqui

Escrevemos o nome no céu
Com mil passos de dança por dar
E mostraste-me um mundo só teu
Com promessas de ir e voltar
Trouxeste tanto que me querias contar
Sobre as cidades que há no fundo do mar
Estamos tão perto de estar tão longe
Como dois loucos na madrugada
Se me dás tudo, ficas com nada
E abrem-se janelas em nós
Acendi as palavras na pele
Em tatuagens brilhantes de azul
E pousaste-me um beijo fiel
Em telhados de vento e de sul
Trouxeste tanto que me querias contar
Sobre as cidades que há no fundo do mar
Estamos tão perto de estar tão longe
Como dois loucos na madrugada
Se me dás tudo, ficas com nada
E abrem-se janelas em nós
Eu estou aqui
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a escolha errada

“o amor e o medo andam sempre juntos, apenas devemos escolher um deles”

Posted by heidi at 08:52:57 | Permalink | Comments (1) »

o amor e o tempo


Na minha visita relâmpago a Ponte de Lima, algures numa fonte estava escrito este poema. Mais tarde encontrei-o num livro oferecido por uma amiga. Aqui está, simples e lindo.

 


Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.

Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.

– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»

Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento…
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.

Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»


António Feijó, Sol de Inverno, 1922

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Monday, July 10, 2006

O tempo passa

segredos e pavores que a espuma dos dias afasta

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O caminho faz-se caminhando

Pois é, lá ando eu a girar em torno do futuro! “O caminho faz-se caminhado”- esta frase, um tanto batida,faz no entanto todo o sentido. A estrada só nasce a cada passa que damos e, “andarmos é firmarmos um pé no passado e outro no futuro”(Teixeira de Pascoaes).

Há, no entanto vários factores que interferem em cada passo que damos, factores estes que constituem a própria mudança. E que tal sermos nós criar esses factores?, pois “a maneira mais fácil de gerir a mudança é criá-la” (Peter Drucker).

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Saturday, July 8, 2006

Passado, presente e futuro

“A existência do futuro e do passado só existe na mente do ser que vive o presente, pois o passado já não é, pois se fosse, não seria passado, mas presente. O futuro ainda não é, pois se fosse seria presente e não futuro. Passsado e futuro não são”.

Stº Agostinho

No entanto, “não seríamos capazes de viver sem memória do passado, uma orientação para o presente e o sentido do devir”.

Chesneaux

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Thursday, July 6, 2006

O futuro não existe

O futuro não existe………………….É muito fácil chegarmos a esta conclusão, basta pensarmos que, de facto, qualquer tempo é hoje.

O futuro implica sempre uma acção do presente, quanto mais não seja o simples facto de exprimir essa palavra - futuro.

Porquê preocupar-se, então, com uma coisa que não existe? 

Posted by heidi at 16:13:26 | Permalink | Comments (1) »