2007
Queres ver a vida a passar por ti ou seres tu a passar pela vida?
Queres ver a vida a passar por ti ou seres tu a passar pela vida?
A vida é um jogo, todos sabemos. Uma das regras de ouro: não se pode voltar atrás.
Apenas existe um sentido; pode-se saltar casas; procurar aquelas em que ganhamos pontos; pode escolher-se - há vários caminhos; evitar a ilusão dos caminhos mais fáceis e dos atalhos, pode-se perder pontos; é possível ganhar pontos ao ajudar os parceiros de jogo; pode-se ganhar mesmo sendo o último a partir; todos chegamos ao fim do jogo e ninguém ganha.
FIM
Ainda que ambos os sujeitos da relação se amem, e podem amar-se de formas diferentes, o relacionamento, e não o amor, é que determinará a qualidade e duração desse amor.
O amor é aqui relação, estar em relação.
Porque afinal um só pode amar, e o amor não deixará de existir, mas o amor não existe no vazio. É dirigido a outra pessoa, e ainda que o digamos desinteressado, ele quer ser correspondido, ele quer pelo menos alcançar o seu objectivo, fazer o outro feliz. E aí, quando se esperam resultados, as coisas começam a ficar difíceis.
E se o amor é uma construção a dois, então piora, pois não conta só o amor que se sente mas também o amor que se vive.
E imperfeitos como somos, inseguros, vivemos paralisados pelo medo, o amor não nos é fácil, e ao contrário do que pensamos, o amor, ou melhor, a relação amorosa, exige esforço, exige conhecimento, perseverança e muita tolerância.
O amor que sentimos, que cada um sente pelo outro, ainda que seja sem medida, não é a mesma coisa que o amor que se vive, entre o amor sentido e o amor vivido a correspondência não é natural.
Não quero com isto excluir a espontaneidade. Olhado de outro ponto de vista, o amor, a relação amorosa exige o melhor de nós, e o melhor de nós acontece mais vezes quando não pensamos do que quando pensamos de mais. O coração, órgão incansável levando vida a todos os pontos do nosso corpo, é uma boa metáfora não só do amor mas da relação amorosa.
Ama-se como se respira, a maior parte do tempo sem se dar por isso, outras com enorme dificuldade.
“Je ne suis pas fait pour jouir”
Gustave Flaubert
Já faltou mais para eu acabara com este blog…Que sentido faz estar aqui a escrever estas paroladas? Quem chega aqui lê:”o que é esta merda?”, certo??
Este fim de semana contaram-me uma coisa muito dura…queria poder escerever sobre e não posso…põe em causa a pessoa que me contou e a pessoa em causa. Como é que de um momento para o outro a vida está em causa. Quem merece passar por uma coisa dessas? Muitos responderão ninguém merece, são coisas da vida. Ninguém devia passar por nada disso.
O que queres saber?
Se nem eu sei.
Que eu prefiro morrer?
Ou que nem lutei?
Sinto que não sou,
Quando serei?
Sou quem não sou
E sempre esperei.
A noite é escura
E uma pessoa mais pura.
A noite cura,
A noite é tão dura.
Disseram-me: a vida é dura põe-te em guarda
Já se vai soltando a rolha que nos tapava a garganta
Que força é essa amigo que te põe de bem com os outros e de mal contigo
Foi há muito tempo, ainda as mãos geladas
Baralha e volta a dar tudo o que tiveres
A morte dorme parada nessa muralha
Volto a ser quem não era
Cai se vai andando com a cabeça entre as orelhas
30.11.06