os rostos ausentes
…Viver é dizer a vida com palavras que a não dizem. E é continuar a perder o paraíso perdido à nascença. É acrescentar e diminunir, em somas acompanhadas de subtracções que, para nós, acabam sempre em zero. Viver é olhar o nada no tudo…
…Viver é ouvir a voz dos outros em nós…
…A grande honra que está à altura da vida que morre é dizer, como se diz no final do “Inominável”, de Beckett: “Tenho de continuar, não posso continuar, vou continuar.” E no lá fora da vida, o sol levanta o seu sereno esplendor para a iluminar, mesmo quando já não ilumina o nosso rosto ausente…
(José manuel dos Santos in ActualExpresso)
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