O Presente é a estação mais subtil - e a mais astuta. Nela, tudo é e deixa de ser, despedida e saudade de si mesmo. O dia move-se vagarosamente para a noite sem queda ou abismo. O sol acinzenta-se sem falha ou ruptura. O ar arrefece sem salto ou brusquidão. A hora entristece a sua alegria, e esse entristecer é leve como a folha que cai sobre as folhas do chão. Imperceptíveis para nós próprios, já somos outros, porque tudo à nossa volta mudou furtivamente.