dá que pensar…
O que é que falta a uma obra, por exemplo a um vaso, para que se torne uma obra de arte? A resposta (…) é o vazio.
Se não há vazio (que é em redor do objecto) então não pode haver singularidade do objecto. Se não há vazio na cabeça e no corpo do autor nós não podemos pensar que ele vai poder criar quaquer coisa.
Ora, isto leva-nos a pensar que há um ritmo no vazio (…), que o próprio vazio está no ritmo. Se pensarmos o que é o ritmo , diferente da cadência, que é uma batita sempre regular enquanto que o ritmo tem uma irregularidade, quer dizer que [o ritmo] pode admitir e produzir outros ritmos dentro de si e então temos de admitir o vazio.
Não pode haver uma boa relação entre duas pessoas se não se produzir um vazio entre as pessoas porque esse vazio é a condição para que cada uma delas apareça por si e possa estabelecer uma ligação, comunicação com as outras pessoas.
(José Gil, filósofo)