25 Junho 2007- Chaves Chove…
…Portugal…um país tropical…
…Portugal…um país tropical…
Agora, atrás da luz há o mundo, e os dias deixam-se atravessar pelo olhar. Se o Verão é a estação do fogo e o Inverno a da àgua, o Outono é a da terra, que recebe as folhas caídas, e a Pimavera a do ar, por onde as folhas sobem. As duas primeiras são estações fixas e lentas; as duas últimas, móveis e leves. Ser, aquelas; devir, estas. Destino, umas; caminho, outras. Caminho, sim: o Outono é um túnel e a Primavera uma ponte. Na Primavera, o mundo ascende e torna-se aéreo: o seu céu é o seu solo. Tudo se azula, e os nossos olhos são aves de luz inquieta, à procura de um ponto para apoiar o seu descanso.
José Mannuel dos Santos (Expresso)
O tempo voa…estou aqui a ver que faltam apenas 22 dias para este blog fazer um ano…é verdade: um ano…
Há quem diga que um ano não é nada…eu acho que é muito, acho que é uma eternidade…O que é um ano de vida?…É tanta coisa, … pode significar uma reviravolta total!
Vai ser giro poder comparar o que estava a fazer há um ano…
Sempre achei muita graça a isso, quer dizer aos diários, aos “caderninhos”, às memórias escritas, mas nunca fui capaz de ter nenhuma, umas queimei-as, outras foram para o lixo, enfim, uma tristeza…
Assim, finalmente, vou poder ler as minhas memórias…
Hoje está uma dia lindo…finalmente a primavera chegou. Chegou o aperitivo do Verão…
É impressionante como o sol, a luz e as cores nos fazem falta!!!
O que seria de nós sem esta Estação?!
Dia 1 de Março 2007, acabei quatro anos e meio……………….valeu por tudo o que vivi, tudo o que aprendi. Acima de tudo aprendi que depois da tempestade vem sempre a bonança e que nunca devemos desistir de nada.
Cada minuto, cada segundo da nossa vida é vivida com o objectivo de alcançar algo, por mais ínfimo que seja, se deixarmos de perseguir algo, evaporamo-nos….
Acabei à dois dias seis meses!Saí de lá com a sensação que me esquecia de alguma coisa, onde terá sido???alí, acolá, não! Foi lá! Em todo o lado….porque deixamos sempre um bodadinho de nós em cada sítio por onde passamos………….
Nota: a única medida de tempo que vale é a “unidade de satisfação” (adorei)
29.11.06
Bem…que tempo……faz-me lembra o meu primeiro ano…….Todas as recordações que me restam do meu primeiro ano são marcadas por este pano de fundo…….chuva e chuva…
Ontem apercebi-me que a memória tem cheiro…
Ou será melhor dizer que tem os cinco sentidos?
Pois a memória não esquece!
Lembranças da memória… nunca são iguais. Serão reais?!
“(…) E de tudo fica um pouco. Oh abre os vidros de loção e abafa o insuportável mau cheiro da memória.”
Memória da posteridade…mas será que existe uma memória do futuro ou eu estou delirando?
Na minha visita relâmpago a Ponte de Lima, algures numa fonte estava escrito este poema. Mais tarde encontrei-o num livro oferecido por uma amiga. Aqui está, simples e lindo.
Pela montanha alcantilada
Todos quatro em alegre companhia,
O Amor, o Tempo, a minha Amada
E eu subíamos um dia.
Da minha Amada no gentil semblante
Já se viam indícios de cansaço;
O Amor passava-nos adiante
E o Tempo acelerava o passo.
– «Amor! Amor! mais devagar!
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não corras tanto assim, que tão ligeira
Não pode com certeza caminhar
A minha doce companheira!»
Súbito, o Amor e o Tempo, combinados,
Abrem as asas trémulas ao vento…
– «Por que voais assim tão apressados?
Onde vos dirigis?» – Nesse momento.
Volta-se o Amor e diz com azedume:
– «Tende paciência, amigos meus!
Eu sempre tive este costume
De fugir com o Tempo… Adeus! Adeus!»
António Feijó, Sol de Inverno, 1922